Crédito imobiliário bate recorde e a poupança perde dinheiro: o que muda para quem vai financiar

Dois números do mesmo mês parecem contraditórios. Em agosto, os bancos emprestaram R$ 16,97 bilhões para compra e construção de imóveis com dinheiro da poupança, alta de 46,6% sobre agosto de 2025, segundo a Abecip. No mesmo mês, os brasileiros sacaram da poupança R$ 10,5 bilhões a mais do que depositaram, segundo o Banco Central. Nós da FHN explicamos como as duas coisas acontecem ao mesmo tempo e o que isso muda para quem vai financiar um imóvel em BH.
Os números do recorde
- R$ 16,97 bilhões em financiamentos com recursos da poupança em agosto, o terceiro melhor agosto nos últimos 25 anos.
- R$ 132,5 bilhões de janeiro a agosto, alta de 37,5%. A Abecip elevou a previsão para 2026 a R$ 185 bilhões.
- R$ 57,1 bilhões de saques líquidos da poupança no ano até agosto.
- A partir de janeiro de 2027, entra em vigor, de forma gradual, o novo modelo de uso da poupança no crédito imobiliário.
Por que o crédito imobiliário bate recorde em 2026?
Segundo a Abecip, a associação das entidades de crédito imobiliário e poupança, os financiamentos com recursos do SBPE somaram R$ 132,5 bilhões de janeiro a agosto, avanço de 37,5% sobre o mesmo período de 2025. Em 12 meses até agosto, foram R$ 192,4 bilhões, expansão de 20,2%. Com o resultado, a entidade elevou a projeção para o ano de R$ 180 bilhões para R$ 185 bilhões, um crescimento de 18%.
Uma explicação está no preço do dinheiro. O crédito com recursos da poupança é o mais barato do mercado fora do Minha Casa Minha Vida. Em agosto, a taxa média do financiamento imobiliário com taxas reguladas era de 10,91% ao ano. Nas operações com taxas de mercado, chegava a 14,24%, segundo o Banco Central.
A distância entre o crédito com dinheiro da poupança e o crédito com taxas de mercado aumentou desde 2022. Fonte: Banco Central do Brasil.
O gráfico mostra a distância entre os dois mundos. Em janeiro de 2022, as duas taxas estavam próximas: 9,34% nas reguladas e 9,92% nas de mercado. Em agosto de 2026, a diferença passou de 3 pontos percentuais.
Se o crédito cresce, por que a poupança está perdendo dinheiro?
Porque a poupança rende menos que outras aplicações enquanto a Selic está alta. Pela lei, com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR. Com a Selic em 13,75%, muita gente migra para investimentos que pagam mais.
Em agosto, segundo o Banco Central, os depósitos somaram R$ 357,7 bilhões e os saques, R$ 368,2 bilhões. Foi o terceiro mês seguido de saída líquida, e em 2026 apenas maio teve entrada líquida. No ano, a caderneta acumula R$ 57,1 bilhões de retiradas líquidas. O saldo total segue pouco acima de R$ 1 trilhão.
O crédito continua crescendo porque os bancos ainda têm saldo para emprestar e porque contratos antigos vão sendo pagos e liberam recursos. Mas o setor sabe que a poupança, sozinha, não sustenta esse ritmo para sempre. É por isso que o Conselho Monetário Nacional aprovou um novo modelo.
O que muda com o novo modelo de crédito imobiliário?
Em outubro de 2025, o Conselho Monetário Nacional aprovou a reforma das regras de uso da poupança no crédito imobiliário, proposta pelo Banco Central. Os principais pontos, segundo o voto que embasou a resolução:
- Começa em janeiro de 2027, de forma gradual, acompanhando a amortização dos contratos antigos.
- Mais dinheiro da poupança vai para a habitação. Hoje, no mínimo 65% do saldo precisa ir para crédito imobiliário. Ao longo da transição, esse direcionamento sobe até 100% do saldo, absorvendo os 20% que hoje ficam recolhidos no Banco Central e os 15% de aplicação livre.
- Volta a obrigação de operar no SFH. 80% do equivalente ao saldo da poupança deve ir para financiamentos habitacionais dentro do Sistema Financeiro da Habitação.
- Teto do SFH sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões de valor de avaliação, com custo efetivo máximo de 12% ao ano para o comprador.
Para quem compra imóvel de valor médio em BH, o recado é de continuidade: o dinheiro da poupança segue sendo a principal fonte do crédito imobiliário fora do Minha Casa Minha Vida, agora com regras que tentam garantir que ele não falte.
O que isso significa para quem vai financiar agora?
- A linha certa faz mais diferença que o momento. Minha Casa Minha Vida, SBPE e taxas de mercado têm juros muito diferentes. Saber em qual você se enquadra vem antes de qualquer outra decisão.
- Quem se enquadra no MCMV usa dinheiro do FGTS, não da poupança, com taxas fixadas pelo programa. Nas nossas simulações oficiais, de 5,50% a 10% ao ano.
- Acima do teto do MCMV, o SBPE é a referência. Nas simulações que rodamos entre junho e agosto, a taxa ficou em torno de 10,65% ao ano.
Descubra em qual linha você se enquadra: mande sua renda bruta e sua data de nascimento no WhatsApp e rodamos a simulação oficial da Caixa.
Apartamentos em BH na faixa do SBPE
Acima de R$ 600 mil, o imóvel passa do teto do Minha Casa Minha Vida e o financiamento vem do SBPE, com dinheiro da poupança. Selecionamos empreendimentos de 2 e 3 quartos nessa faixa, um por bairro, com o preço de partida de cada um.
Edifício SOLARIUM, São Lucas, Belo Horizonte
Edifício SOLARIUM, São Lucas, Belo Horizonte. Imagem do empreendimento.
2 quartos, lançamento com entrada parcelada direto com a construtora. A partir de R$ 630.000 na tabela da construtora. Ver unidades e fotos ou pedir a simulação com a minha renda.
Neo Pampulha Residence, Ouro Preto, Belo Horizonte
Neo Pampulha Residence, Ouro Preto, Belo Horizonte. Imagem do empreendimento.
2 quartos, lançamento com entrada parcelada direto com a construtora. A partir de R$ 635.800 na tabela da construtora. Ver unidades e fotos ou pedir a simulação com a minha renda.
Lisboa Residence, Barreiro, Belo Horizonte
Lisboa Residence, Barreiro, Belo Horizonte. Imagem do empreendimento.
2 e 3 quartos, lançamento com entrada parcelada direto com a construtora. A partir de R$ 649.275 na tabela da construtora. Ver unidades e fotos ou pedir a simulação com a minha renda.
Elo Paradise, Alípio de Melo, Belo Horizonte
Elo Paradise, Alípio de Melo, Belo Horizonte. Imagem do empreendimento.
2 quartos, lançamento com entrada parcelada direto com a construtora. A partir de R$ 652.800 na tabela da construtora. Ver unidades e fotos ou pedir a simulação com a minha renda.
Eleva, São Luiz, Belo Horizonte
Eleva, São Luiz, Belo Horizonte. Imagem do empreendimento.
2 quartos, lançamento com entrada parcelada direto com a construtora. A partir de R$ 660.900 na tabela da construtora. Ver unidades e fotos ou pedir a simulação com a minha renda.
Ápice, Dom Cabral, Belo Horizonte
Ápice, Dom Cabral, Belo Horizonte. Imagem do empreendimento.
2 e 3 quartos, lançamento com entrada parcelada direto com a construtora. A partir de R$ 714.600 na tabela da construtora. Ver unidades e fotos ou pedir a simulação com a minha renda.
Os preços são das tabelas das construtoras e podem mudar sem aviso. Mais opções em quanto custa um apartamento de 3 quartos em BH.
Perguntas frequentes
O que é o SBPE?
É o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Reúne os bancos que captam depósitos de poupança e usam parte deles para financiar imóveis.
A saída de dinheiro da poupança pode fazer faltar crédito imobiliário?
Em 2026, o crédito com recursos da poupança cresceu mesmo com os saques. O novo modelo, que começa em 2027, foi desenhado justamente para ampliar o uso da poupança na habitação e reduzir esse risco.
Qual é o valor máximo de imóvel para usar o FGTS?
Pelas regras da Caixa, o FGTS pode ser usado em imóveis com avaliação de até R$ 2,25 milhões, o mesmo novo teto do SFH.
Fontes: Abecip, dados de agosto de 2026 divulgados em 30/09/2026; Banco Central do Brasil, relatório de poupança de agosto de 2026 e séries SGS 20772 e 20773; Conselho Monetário Nacional, Voto 64/2025 e Voto 134/2025 do Banco Central, de outubro de 2025; Lei 12.703/2012; Caixa, Manual da Moradia Própria; simulações oficiais da Caixa realizadas por nós entre junho e agosto de 2026; tabelas das construtoras parceiras de setembro de 2026. Levantamento: FHN Imóveis, outubro de 2026.


